Não havia nuvens, ele estava limpo e laranja, o céu, escuro e alaranjado pelas luzes da rua. Então eu e o meu cigarro deitamos no asfalto. Não entendo muito sobre a exclusividade, e duvido que mais alguém não olhava para aquele mesmo céu de algum outro lugar qualquer. Esse mundo é tão cheio de gente, de gente que nunca nem escuto falar, que vive ao mesmo tempo, vê as mesmas coisas, sente também, e quem sabe já até desapareceu sem fazer alguma diferença para mim. Mas quando o cigarro apagou, eramos apenas eu, aquele céu, e até onde os meus olhos alcançavam. Até onde os meus olhos alcançavam? Talvez, se não fosse verdade, eu nem diria que alcançam muito mais do que eu jamais poderia ver, pois esqueci meus olhos dentro dos olhos daquela menina, e ela fica muito longe, muito longe daqui.
segunda-feira, 30 de março de 2009
terça-feira, 24 de março de 2009
segunda-feira, 23 de março de 2009
Só
Ela tem mania de sair e deixar a porta destrancada. Diz que é para que violem suas gavetas, para que mudem seu apartamento de lugar. Mas isso é um segredo. Desde que virou um depósito de coisas negadas, empilhadas umas as outras, prefere não pensar muito. Pensar machuca, e foi só o que sobrou.
Dos outros, continua duvidando. Duvidar afasta, faz do pior familiar. Foi aí que a sacada ficou grande demais para uma pessoa só. Uma pessoa só.
quarta-feira, 11 de março de 2009
Pálpebras
Vem e fala comigo, vai que eu sinto falta da sua voz. Eu não sei quanto tempo a gente tem para deixar correr com esses quilômetros. Estica para mim, estica as únicas mãos que eu adoro segurar. E deita, deita que eu quero te ver dormir. Então dou meu ombro para sua cabeça, meus beijos para sua boca, e desisto do meu sono para olhar as suas pálpebras.
segunda-feira, 9 de março de 2009
Esquecer de dormir
Sabe quando é madrugada e a chuva já parou, a água acentou nas paredes deixando tudo úmido junto de um ventinho constante? Eu gosto de fumar quando está assim, perder minhas idéias na fumaça, e me levar para tudo o que eu gosto e não está aqui. Às vezes nem ligo se acordo a tempo de perder o café da manhã, ou se o dia parece mais curto. Sempre preferi as noites mesmo, aquelas noites que me encontro com quem me faz esquecer de dormir.
