É passageiro, mas a agonia parece ser quase indescritível. É como entrar pela primeira vez em dez anos na sua primeira escola e perceber que já não faz parte dali. Você sempre foi como um lugar para mim, onde eu tinha que estar presente. E agora, o que eu vou fazer com todas essas noites? Essas que eu atravesso pelas ruas, pelas novas pessoas. Eu nunca vou saber como teria sido, tentando aprender aquilo que eu já deveria saber. Então vou queimando esses cigarros, um atrás do outro. Só queria queimar essas lembranças neles, para ver todas essas imagens sumindo pela fumaça que se perde no ar, quando sobe, bem alto. O que tento dizer é que às vezes eu só queria que as noites perdessem esses meus sonhos ruins. Mas a esperança me atrapalha tanto quando eu coloco ela no lugar errado.
domingo, 30 de janeiro de 2011
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Verão
Não sei, sempre fui tão teimosa. Simplesmente não consigo negar essas coisas que enxergo dentro de mim. E não me importa ser sensata ou deixar de ser, a verdade sempre veio primeiro: veio antes que a dor, antes que os ouvidos medrosos, veio antes até mesmo da vontade. É simples, a verdade anda na frente. Na minha frente, e hoje, é isso. A minha sinceridade ainda que muda. Eu não posso dizer. Mas não é porque não quero, é porque não querem me ouvir. Mas eu continuo! E vou dizendo, nem que seja por um sussuro aqui, só para mim. Eu sei que o vento te sopra isso tudo o que eu sinto, eu sei. Você vai me sentir... soprando sua nuca, numa brisa de verão. E nossa, que verão!
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Folga
Andei por folhas lindas hoje, elas me fizeram levantar os olhos para além da árvore, para o céu. Mas não era o céu, ou as folhas lindas de hoje. Era eu, perdida dentro de mim, amarrando meus sentidos aos meus sonhos novamente. E agora que eu só queria uma varanda para debruçar, assistir ao escuro dando espaço para a fumaça do meu cigarro dançar... não é a varanda, ou a fumaça do meu cigarro. Mas sou eu, de vez em quando, perdida dentro de mim.
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Quando deixa de importar
E a sensação é essa de sair de um ônibus alguns pontos antes, e andar no meio de pessoas sentindo a solidão dando os seus mesmos passos. E sentir a garoa molhando aos poucos a camiseta, os cabelos, e a meia encharcada pela poça; não importa. Atravessar a rua no último segundo e sentir uma ponta de perigo, passar sem reparar os lugares para não cumprimentar as lembranças. Ah, eu sei que eu tenho um plano b escondido por aqui em algum lugar...
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Aquela noite
Não sei se parece, mas eu tenho pressa. E eu sinto cada segundo passando, cada um deles.
Queria que fosse assim a intimidade que nunca tivemos, algo feito novo, mas ainda como entrar na sala e te esperar chegar, para se sentir à vontade ao colocar os pés na mesa de centro, e deitar no sofá.
Eu já deveria saber que suas aparências não me enganariam, você sempre foi sincera. E talvez esperei que mudasse o que não tinha mudanças. Agora já sinto falta de como te fiz na minha cabeça. Às vezes sinto como se estivesse aí com você, algo que me livre dessa sensação de vir de um lugar que já não me encaixo mais. E às vezes acho que só sonhei com duas cadeiras e duas cervejas numa mesa afastada de qualquer bar. Esperei você chegar para perceber então que você nunca veio, mas sempre esteve aqui, na coincidência de uma mesma dor.
Essa vontade de te abraçar já não sai daqui, e eu quero que você leve isso contigo. E essa vontade de te olhar fixamente até te incomodar... leve meus olhos com você. Mas eu ainda quero que fique, tudo abraçado pelo seu cheiro. E não quero que você leia essas palavras, nem no alto, no ar flutuante dessas asas de aço. Longe, bem longe da terra e da realidade de chão concreto. Só quero que você voe alto, voe... e voe para mim.
Falta de espaço
Tem tantas frases que ainda se encaixam nesse nosso meio que fica entre nós. E tem essas músicas que me trazem tanta coisa para te dizer. Quase me esqueço de que não há mais nada, nada que tenha sobrado.
domingo, 9 de janeiro de 2011
Em espera
Às vezes me sinto enganada, por você, e pelas coisas que eu nunca mais ouvi. E tento tanto, sempre, ser sensata e trabalhar apenas com as coisas mais óbvias, aquelas que estão em cima da mesa. Estou no meio da neblina. Droga! Venha logo me buscar.
Eu sou feita de vontades
Os meus dedos inquietos estão loucos para gritar, enquanto a minha voz falhada, de egoísta que é, resolveu ficar na garganta para não produzir som algum. Estou vazia sim, e não sobrou uma palavra sequer. Soltei tudo quando vi o meu maior problema resolvido, o nó mais fechado se afrouxar até se soltar por completo. Soltei com ele toda a minha fúria, toda a minha revolta. Agora não tenho pelo que lutar. Não tenho mais a necessidade de incendiar uma revolução em ninguém.
Abandonada aos meus próprios calcanhares eu entendi que o meu caminho nunca ultrapassou o ponto de partida. Sigo parada, com pés de estacas, cravados na terra.
Não sei o que vou pedir quando eu ver uma estrela solitária no céu. Justo eu que estou sempre querendo alguma coisa. E quando não houver mais nada para querer? Acho que deixo de existir. Eu sou feita de vontades. E você?
* Publicado em janeiro de 2008, mas continua a fazer sentido.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Até então
Eu tenho fugido dos dias nessas xícaras de café, e vivido pelas noites só para não ver o seu mundo acontecendo. Tenho vivido mais pelos sonhos que eu não consigo me lembrar ao acordar.
Cinema
A luz saía da cabine com a poeira dançando pelo escuro. Luz de filme, correndo pela tela, e as cenas refletidas por todo o seu rosto. Eu queria o mundo naquelas quase duas horas, parado. Eu queria uma sala inteira daquela vazia, só para a gente.
