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sábado, 17 de dezembro de 2011

Um castelo invisível

Em algum tempo eu te falaria, mas não hoje. Me sinto uma idiota agora que meu passado parece não servir para nada, enquanto o seu é uma ponte pronta para fugir da tristeza. Agora é como se nada do que eu tivesse vivido fosse mesmo me ajudar a encontrar as melhores saídas, enquanto tudo o que você viveu continua vivendo. Em algum tempo eu até te falaria, mas não hoje, onde nada daquilo que é construído pela minha cabeça é real. É como se eu tivesse te construído um belo castelo, mas um castelo invisível, onde você só vive por lá nos meus pensamentos. Mas a pior sensação é essa que tenho de que te vi na vitrine e não pude pagar. E passo todos os dias para te ver atrás do vidro, sem poder te levar embora. Como eu queria poder te levar embora!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Para a sua melodia

Todas essas músicas que falam comigo acabam cantando o seu nome.

Eu quero alguém para me fazer largar os cigarros

As chaves esquecidas na porta mexiam com o vento, e as risadas se ouviam baixinho, deslizando feito sussuros, pelo corredor. As cortinas não conseguiam esconder toda a luz, e mostrando o caminho, sapatos largados e cadarços desamarrados na soleira da porta. Pés descalços dançavam na cama, quando a felicidade batia no teto.

A gola da jaqueta levantada e alguns botões da camisa por abotoar, foi como saiu de lá, arriscando um caminho de volta para casa enquanto atravessava as ruas com pressa. O fogo do isqueiro não conseguia iluminar a noite fria, mas o cigarro esquentava a garganta que engolia a seco, amarga. E as estrelas apagadas daquela noite não contariam história melhor, de como você me achou e assim eu te perdi, quando no meu quarto a saudade batia no teto.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Antigo, muito antigo

Fugiram no meio da festa para fumar um cigarro. O tempo estranho convidou a chuva, e assim os dois dividiram o mesmo degrau molhado. O garoto falava dos sapatos parecidos, enquanto a menina fingia ouvir com o olhar preso ao chão. Ela o adorava pelo avesso, e ele era único, feito uma exceção. Aquela noite que antecipava a primeira viagem era nova; chovia para eles. Chovia para molhar os cabelos, as roupas e os beijos. Quando os pés da menina desistiram de andar, os namorados deitaram na calçada. Ele tinha mania cuidar do sono dela dizendo palavras mornas e confissões confusas que o álcool evaporava. Culparam o ciúme. O ciúme os expulsou da festa e os levou para casa. Mas a importância se perdeu no tanto faz, já que o final de semana os apaixonaria novamente. E assim aconteceu, outra vez.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Quando volta o romantismo

Não sei como entrei nessa situação, nada poderia ser mais inesperado. Juro que estava andando sem pressa, mantendo sempre a calma na frente. Mas tudo nela é tão viciante. Ainda não sei dizer o que é que ela tem. Ontem mesmo, eu estava dentro de um ônibus, tomando conta da minha vida, e ela apareceu em algum trecho de qualquer música que tocava nos meus fones de ouvido. A primeira coisa que fiz foi abrir a caixa de texto do meu celular para digitar algumas palavras para ela. Não sou assim. Na verdade, sou, mas estava fugindo desse negócio todo. Estava tentando ser alguém sensato, diferente do que já experimentei, e tentando não me deixar levar por ninguém. O pior é que ela não me leva, ela me traz. É esquisito, eu sei. A questão é que não me sinto perdida de mim, perdida na vida de uma outra pessoa. Estou certa das minhas próprias coisas. Ouso dizer que estou livre. E quando ela liberta as minhas frases rimadas, meus sonhos pintados, meus longos suspiros... Ela me traz, definitivamente, ela me traz de volta.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Goodbye

Pensei que fosse doer mais, e de repente eu não senti mais nada. Nunca achei que esse enfim vazio pudesse me incomodar tanto. Não é como se eu sentisse a sua falta e quisesse te ver, não é como se eu ainda sentisse ciúmes ou vontade de voltar atrás, acho até que não me lembro da sua voz ou do seu cheiro. Talvez seja só uma saudade de sentir saudade, de ter algum sentido, bom ou ruim, em todo caso, um sentido. Talvez eu até preferia chorar, olhar para cima me perguntando onde foi que tudo deu errado. Mas agora eu vejo que tudo deu certo.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Mensagens de texto

Pensar em você me esquenta, mesmo nesse frio que a chuva trouxe. Queria ouvir sua voz baixinho agora, seria ainda mais gostoso do que esse som da água batendo na minha janela. Às vezes eu acho que sou terrivelmente romântica. Ou, às vezes, deve ser só vontade de você.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Para tomar nota

Ontem a professora disse em aula como o nosso inconsciente é atemporal e que tudo depende da catexia. É por isso que existe tanta coisa viva dentro de mim mesmo depois de tanto tempo.

O tempo importa, ele tira um pouco da cor, do sentido, mas acho que tem mesmo coisas que a gente nunca esquece.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Eu sonho demais

Eu quero alguém que caiba em mim sem ao menos pensar em caber em alguém.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Piegas como o amor

Já é madrugada e o sono me pega um pouco e me deixa mais leve. Entretando eu não queria dormir agora, só queria me sentar aqui e escrever sobre o amor. Mas eu sinto medo dele.

Antes eu achava ridículo como as pessoas diziam não acreditar, ou de como não existia. Hoje eu entendo que isso era apenas uma esperança desesperada de que ele não voltasse a despedaçar seus corações. Todos sabem do que ele é capaz, e é por isso que eu tenho fugido.

A verdade é que foi ele quem fugiu de mim e não pretende voltar. Ele dura, entende? Esse sempre foi o problema, o meu problema.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Possibilidades

Eu ia dormir. Ia mesmo, juro que ia. Dormir em silêncio, e sem você. Sem nem pensar em você, aqui comigo. Mas as possibilidades... Se eu te topasse em alguma esquina do meu bairro? Não te notaria. Repararia no jeito como você anda. Encararia seus olhos, ou seu cabelo. Eu abaixaria a cabeça e passaria reto. Tropeçaria no seu cheiro. Atravessaria a rua e te perguntaria as horas. Te roubaria um beijo. Roubaria seu telefone. E se eu roubasse você? Um dos seus dias. Todos eles. Colocaria todos eles dentro do meu bolso e levaria comigo. Ou deixaria esquecido dentro da gaveta. Debaixo do travesseiro. No meu armário. De quadro na parede. Enterraria no quintal.

Sua voz. Sua voz no meu ouvido. No telefone. No vídeo. No meu fone. Nas caixas de som do meu computador. Na minha cabeça. Você falando sempre. Você quieta. E se a gente não se falasse amanhã? E se a gente não se falasse mais? Nunca mais. Que vontade me deu. Vontade de falar com você.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

A parte nova

E desde que você chegou, eu já não pude mais olhar para trás.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Tudo

Tem essas músicas que falam comigo, e é tudo. Da melodia até a letra, das sensações até às lembranças que trazem e as situações que criam na minha cabeça. Feito um abraço seu que não carrega apenas os seus braços, mas também seu cheiro, seu peso, e os nossos sentimentos, envolvidos junto com os meus, tudo junto. E é tudo.

domingo, 19 de junho de 2011

Aos poucos

Acho tenso deixar todo aquele passado ir. É difícil me deixar pro vento levar, e ao mesmo tempo levantar e correr atrás daquilo que eu acho que quero. É, acho. Eu nunca tenho certeza. Sabe? Não sei se vale o risco, ou o sacrifício. Mas é como se o desenho tivesse mudado, e as peças do quebra-cabeça tivessem que se encaixar diferente dessa vez para montar alguma coisa bonita. E eu só estou aqui, tentando montar alguma coisa bonita. Um quadro novo, desses de deixar na parede. Às vezes a gente demora para se encaixar, mas é só sair, respirar fundo, bater o olho direito, que as coisas encontram o seu lugar, assim, aos poucos.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Inspiração

O cigarro ainda me inspira, e a fumaça continua a me sorrir formas. Essas formas de me imaginar com você.

Cedo

Eu acordei do outro lado da cama, procurando você. Debaixo dos lençóis e do edredon, dos beijos pela manhã que eu ainda não te dei. Eu acordei do lado de lá da cama, procurava você. E nas palavras pela manhã, um pedaço de mim que eu ainda não te alcancei. Eu acordei, e sentada na cama, abraçava no travesseiro a parte minha que eu esqueci em você.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Sem título

Se tivesse, pelo menos, uma foto sua que não me desmontasse quando eu olho. Ah! Só seria mais fácil. Se você tivesse ao menos uma ponte onde eu pudesse atravessar. Só seria menos inalcançável. Se eu não ficasse nervosa ao te falar... As palavras somem, e esse frio que me pega pelas mãos... Eu juro que tenho tentado esquentar essas palavras todas para você, mas elas vão se congelando pelo caminho. E eu sei que de perto você me derreteria inteira.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Te trazer de volta

Eu te trago pelas músicas que enchem meu peito feito fumaça.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Andando sozinha

Eu consigo aguentar isso, isso e mais. É quando eu ando sozinha, pensando sobre quem eu sou, e só sobre quem eu sou. Quando junto eu deixei de ser, você fez eu me perder para que eu voltasse a me encontrar. É quando eu ando sozinha. É, sozinha.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Espelho

Estou péssima, olha para essas olheiras, esse sono desregulado. Meus olhos estão cansados, tão cansados. Não tenho enxergado mais nada. As dores de cabeça ainda aparecem de vez em quando. Você ainda aparece de vez em quando. Aparece e some. Sem vestígios, sem sombra. Nas minhas lembranças você aparece sem sombra. E não há nada atrás de você, nem mesmo eu à sua procura. Mas às vezes eu penso que quando as coisas mudarem eu vou sentir saudade de como me sinto agora.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Fria

Eu vou evelhecendo nessas palavras. É sempre um ar gelado que vem de noite, invade a cama, abraça a minha garganta e afasta o cobertor. Não há nada mais morno para dizer, nem um cachecol que esquente as frases.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Coberto de nuvens

Estou cansada desses guarda-chuvas, e da sensação de que nada acontece comigo. Nunca mais me molhei, as tempestades perderam o sentido.

sábado, 26 de março de 2011

Ardilosa

Ela vivia arrumando o seu discurso, como quem alinha uma gravata em frente ao espelho, mas eram apenas detalhes. Tentava esconder sua fraqueza manipulando as palavras, escondendo alguns fatos, sentimentos, ficava apenas com o necessário. Mas quem aguenta ficar só com o necessário? Confesso que era bonito, tudo pensado, organizado, nos eixos... Ela falava dentro de estratégias, ela jogava. E o que ela ganhou? Eu saí do jogo.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Foraclusão

Devo estar escondida debaixo desses sorrisos de música. Devo ter ficado atrás de todas essas situações bonitas que saem dos meus olhos. Porque você simplesmente não consegue me encontrar. Devo ter tirado férias mesmo, de todas essas coisas. Eu devo ter perdido a prática, essa de ficar com alguém.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Medo do escuro

Sabe quando se sonha estar caindo de um prédio, sem saber ao certo quem te empurrou, e acordar num chute, antes que se chegue até o chão? Ou se perder no meio do caminho, naquela rotina que a gente até esquece como se formou? Às vezes fica até impossível arrumar os porquês, mas se continua, ainda que sem sentido. Foi assim que eu aprendi. Parece que é só medo, um puta medo de recomeçar. E será que dá para recomeçar? Ser feito um quarto que se torna vazio por causa das luzes apagadas. É... não se pode ver os móveis, mas eles ainda estão lá.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Ânsia

Como eu queria vomitar, todas as vezes que chegam aos meus olhos essas coisas que me deixam nauseada. Das vezes que elas me alcançaram, eu sequer dei espaço. E ficou tanta coisa minha na mão de outras pessoas. Queria vomitar tudo isso, na frente da festa toda, para que todos vissem o que apodreceu aqui dentro. Mas se isso é tudo o que eu nunca tive, então só fico feliz por ter me acostumado.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Prudência

Porque é mais fácil desconfiar do que ver se quebrar toda uma imagem construída pela confiança.

terça-feira, 8 de março de 2011

Mais de perto

Às vezes eu sinto tanto a mesma coisa, que sinto como se escrevesse sempre a mesma coisa. E não sei qual é a minha obsessão por janelas, cortinas, lençóis e camas. Mas quando fecho os olhos, só vejo isso. Eu gosto. Eu viciei. Então eu tento manipular as palavras para arrumar uma maneira diferente de falar da mesma velha imagem que se repete pela minha cabeça. A minha sorte é que imagens não são palavras, e palavras não são imagens. Se a gente não fosse mesmo assim, não é? De passar a vida remodelando coisas antigas...

segunda-feira, 7 de março de 2011

A música de outra pessoa

Ela morava no décimo primeiro andar, e escondia alguns sentimentos em uma latinha em cima do seu guarda-roupa. A noite sempre se perdia do seu sono. Era ela contra o seu espelho, perguntando se as coisas voltariam a ficar melhor. Nunca parou para pensar como seria começar do zero, até porque o zero nunca havia existido para ela, que desde pequena aprendeu que se começava sempre a contar pelo número um.

O garoto do oitavo andar tinha um topete lindo e sempre vestia um blaser preto de golas levantadas pelo pescoço. Tinha um vício e de madrugada gastava metade do seu maço de cigarros esperando...

Esperar era um verbo que ela sempre dizia ser sem ação, como um substantivo comum. Era camuflado entre os seus, e covarde, pois se escondia em salas de espera, revistas fúteis e relógios de parede. Mas de qualquer forma, ela esperava pelas duas da manhã, quando descia pelas escadas até o térreo, e passava por um rapaz de topete que tinha o costume de fumar pelos corredores do seu andar.

Eles tinham essa mania de fingir não se notar.

Ele pedia o elevador, e ela voltava pelas escadas. Ele alcançava a calçada, e ela chegava em casa. Ele atravessava a rua, e ela abria a janela. Ele acendia um cigarro, e ela afastava a cortina. Ele olhava para ela, e ela olhava para ele. Dois sorrisos.

domingo, 6 de março de 2011

Sonambulismo

Seria mesmo tanta idiotice usar você assim, desse jeito? É que eu já imaginei como tudo poderia ter sido lá na frente, e escrevi em algumas folhas de caderno o rascunho do nosso futuro. Você seria tudo o que eu mais poderia querer em dois anos, e eu te acompanharia pelas nuvens dos seus sonhos. O teto do seu quarto seria o nosso céu favorito, e o cheiro do seu travesseiro ficaria preso na minha roupa. A varanda descansaria a maioria das nossas conversas, e eu seria íntima de todos os seus pijamas. E eu sei, sei que ficaria sempre bem se todos os nossos beijos terminassem em sorrisos.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Todo o carinho do mundo

Eu te deixava correr pelas árvores. Era assim, com meu fone tocando a minha música favorita, mas meus ouvidos ainda eram seus. E eu lia em voz alta algum livro na grama, mas minha boca ainda era sua. Quando depois eu te troquei por algumas viagens que refizeram a minha vida, você ainda estava por aqui quando voltei. Você ficou em todas aquelas esquinas de volta para casa, todas elas. E de vez em quando eu te via beber e sorrir por aí. O seu cheiro nunca mudou. Acho que ainda guardo um pedacinho seu dentro de uma caixinha de madeira, aquela que você me deu. Estão suas palavras, sua caligrafia, e os dias... todos aqueles que já foram nossos, dentro aqui. Então vai! Vai ser feliz, rapaz!

Alto

Alguém pode, por favor, estourar os meus balões? Preciso parar de subir assim, tão alto...

O que ela segura nas mãos

Não sei bem como e porque, mas ela entrou e eu parei de respirar. Assim, mergulhei fundo e prendi todo o ar. Tem alguma coisa que ela segura naquelas mãos, e os óculos escuros não me deixam alcançar seus olhos. Mas, às vezes, eu só queria ser os sentimentos nas palavras dela, ou todo o verde do seu guarda-roupa. Queria ser aquilo que ela escolheu vestir, e estar onde ela parou para olhar. Ah! Se ela pelo menos olhasse para mim...

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Ilusão

Queria conseguir ser forte demais, ao ponto de não acreditar em nada, mas os meus sonhos ficam me levando embora.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Fuga

E vou dormir para onde o sono me leve... os dias, as horas que prefiro não ver passar, e me leve para quando você chegar.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Outono

Às vezes eu acho que você só veio abrir uma porta para mim, com entrada para o outono. E quando eu me perco no reflexo de um vidro de janela, olhando sem olhar para a paisagem se mexendo, é dentro de uns sorrisos que ainda não visitei. Engraçado como as possibilidades chegam como presente das pessoas. E um abraço que eu imagino, e olhos deitados, cheiro de edredon... É fácil, sabe? Ainda é tudo tão fácil na minha cabeça.

Anotação

E se e te fantasiasse em segredo, deixando pegadas de pés molhados pelo meu chão... Ou se eu imaginasse a cor que ganham seus cabelos depois de uma chuva de verão... Será que eu ainda conseguiria continuar a falar com você, assim, sem pretensão?

domingo, 30 de janeiro de 2011

Passageiro

É passageiro, mas a agonia parece ser quase indescritível. É como entrar pela primeira vez em dez anos na sua primeira escola e perceber que já não faz parte dali. Você sempre foi como um lugar para mim, onde eu tinha que estar presente. E agora, o que eu vou fazer com todas essas noites? Essas que eu atravesso pelas ruas, pelas novas pessoas. Eu nunca vou saber como teria sido, tentando aprender aquilo que eu já deveria saber. Então vou queimando esses cigarros, um atrás do outro. Só queria queimar essas lembranças neles, para ver todas essas imagens sumindo pela fumaça que se perde no ar, quando sobe, bem alto. O que tento dizer é que às vezes eu só queria que as noites perdessem esses meus sonhos ruins. Mas a esperança me atrapalha tanto quando eu coloco ela no lugar errado.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Verão

Não sei, sempre fui tão teimosa. Simplesmente não consigo negar essas coisas que enxergo dentro de mim. E não me importa ser sensata ou deixar de ser, a verdade sempre veio primeiro: veio antes que a dor, antes que os ouvidos medrosos, veio antes até mesmo da vontade. É simples, a verdade anda na frente. Na minha frente, e hoje, é isso. A minha sinceridade ainda que muda. Eu não posso dizer. Mas não é porque não quero, é porque não querem me ouvir. Mas eu continuo! E vou dizendo, nem que seja por um sussuro aqui, só para mim. Eu sei que o vento te sopra isso tudo o que eu sinto, eu sei. Você vai me sentir... soprando sua nuca, numa brisa de verão. E nossa, que verão!

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Folga

Andei por folhas lindas hoje, elas me fizeram levantar os olhos para além da árvore, para o céu. Mas não era o céu, ou as folhas lindas de hoje. Era eu, perdida dentro de mim, amarrando meus sentidos aos meus sonhos novamente. E agora que eu só queria uma varanda para debruçar, assistir ao escuro dando espaço para a fumaça do meu cigarro dançar... não é a varanda, ou a fumaça do meu cigarro. Mas sou eu, de vez em quando, perdida dentro de mim.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Poesia

E os meus olhos nunca mais secaram depois que você foi embora.

Quando deixa de importar

E a sensação é essa de sair de um ônibus alguns pontos antes, e andar no meio de pessoas sentindo a solidão dando os seus mesmos passos. E sentir a garoa molhando aos poucos a camiseta, os cabelos, e a meia encharcada pela poça; não importa. Atravessar a rua no último segundo e sentir uma ponta de perigo, passar sem reparar os lugares para não cumprimentar as lembranças. Ah, eu sei que eu tenho um plano b escondido por aqui em algum lugar...

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Aquela noite

Não sei se parece, mas eu tenho pressa. E eu sinto cada segundo passando, cada um deles.

Queria que fosse assim a intimidade que nunca tivemos, algo feito novo, mas ainda como entrar na sala e te esperar chegar, para se sentir à vontade ao colocar os pés na mesa de centro, e deitar no sofá.
Eu já deveria saber que suas aparências não me enganariam, você sempre foi sincera. E talvez esperei que mudasse o que não tinha mudanças. Agora já sinto falta de como te fiz na minha cabeça. Às vezes sinto como se estivesse aí com você, algo que me livre dessa sensação de vir de um lugar que já não me encaixo mais. E às vezes acho que só sonhei com duas cadeiras e duas cervejas numa mesa afastada de qualquer bar. Esperei você chegar para perceber então que você nunca veio, mas sempre esteve aqui, na coincidência de uma mesma dor.
Essa vontade de te abraçar já não sai daqui, e eu quero que você leve isso contigo. E essa vontade de te olhar fixamente até te incomodar... leve meus olhos com você. Mas eu ainda quero que fique, tudo abraçado pelo seu cheiro. E não quero que você leia essas palavras, nem no alto, no ar flutuante dessas asas de aço. Longe, bem longe da terra e da realidade de chão concreto. Só quero que você voe alto, voe... e voe para mim.

Falta de espaço

Tem tantas frases que ainda se encaixam nesse nosso meio que fica entre nós. E tem essas músicas que me trazem tanta coisa para te dizer. Quase me esqueço de que não há mais nada, nada que tenha sobrado.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Em espera

Às vezes me sinto enganada, por você, e pelas coisas que eu nunca mais ouvi. E tento tanto, sempre, ser sensata e trabalhar apenas com as coisas mais óbvias, aquelas que estão em cima da mesa. Estou no meio da neblina. Droga! Venha logo me buscar.

Eu sou feita de vontades

Os meus dedos inquietos estão loucos para gritar, enquanto a minha voz falhada, de egoísta que é, resolveu ficar na garganta para não produzir som algum. Estou vazia sim, e não sobrou uma palavra sequer. Soltei tudo quando vi o meu maior problema resolvido, o nó mais fechado se afrouxar até se soltar por completo. Soltei com ele toda a minha fúria, toda a minha revolta. Agora não tenho pelo que lutar. Não tenho mais a necessidade de incendiar uma revolução em ninguém.
Abandonada aos meus próprios calcanhares eu entendi que o meu caminho nunca ultrapassou o ponto de partida. Sigo parada, com pés de estacas, cravados na terra.
Não sei o que vou pedir quando eu ver uma estrela solitária no céu. Justo eu que estou sempre querendo alguma coisa. E quando não houver mais nada para querer? Acho que deixo de existir. Eu sou feita de vontades. E você?

* Publicado em janeiro de 2008, mas continua a fazer sentido.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Até então

Eu tenho fugido dos dias nessas xícaras de café, e vivido pelas noites só para não ver o seu mundo acontecendo. Tenho vivido mais pelos sonhos que eu não consigo me lembrar ao acordar.

Cinema

A luz saía da cabine com a poeira dançando pelo escuro. Luz de filme, correndo pela tela, e as cenas refletidas por todo o seu rosto. Eu queria o mundo naquelas quase duas horas, parado. Eu queria uma sala inteira daquela vazia, só para a gente.