Não sei se parece, mas eu tenho pressa. E eu sinto cada segundo passando, cada um deles.
Queria que fosse assim a intimidade que nunca tivemos, algo feito novo, mas ainda como entrar na sala e te esperar chegar, para se sentir à vontade ao colocar os pés na mesa de centro, e deitar no sofá.
Eu já deveria saber que suas aparências não me enganariam, você sempre foi sincera. E talvez esperei que mudasse o que não tinha mudanças. Agora já sinto falta de como te fiz na minha cabeça. Às vezes sinto como se estivesse aí com você, algo que me livre dessa sensação de vir de um lugar que já não me encaixo mais. E às vezes acho que só sonhei com duas cadeiras e duas cervejas numa mesa afastada de qualquer bar. Esperei você chegar para perceber então que você nunca veio, mas sempre esteve aqui, na coincidência de uma mesma dor.
Essa vontade de te abraçar já não sai daqui, e eu quero que você leve isso contigo. E essa vontade de te olhar fixamente até te incomodar... leve meus olhos com você. Mas eu ainda quero que fique, tudo abraçado pelo seu cheiro. E não quero que você leia essas palavras, nem no alto, no ar flutuante dessas asas de aço. Longe, bem longe da terra e da realidade de chão concreto. Só quero que você voe alto, voe... e voe para mim.
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Aquela noite
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