Eu gosto de dar passos largos com a indecisão. As possibilidades me fazem correr assustada. Então, quase tropeçando, olho para trás, bem quando eu desci aquelas escadas. Nunca vou me esquecer da sua camiseta vermelha, do banco em que você me esperava, e o calor... Foi bem quando me peguei juntando algumas palavras avulsas que começariam qualquer conversa que driblasse a timidez para alcançar o nosso primeiro beijo. Penso no quanto eu devo ter me esquecido em algum lugar entre nós, porque acho que fiquei naqueles dias, naqueles poucos dias que se passaram tão devagar. A intensidade trouxe do pouco, muito, que já é tanto isso tudo o que eu carrego por você. Do medo, veio a coragem de tão longe chegar mais perto, e mais perto, cada vez mais.
terça-feira, 20 de novembro de 2012
domingo, 4 de novembro de 2012
O medo
03h51. Depois eu não sabia mais o que fazer, fumando um cigarro encostada no batente da porta da cozinha, eu encarava o céu. Relembrava aquelas conversas na escada do prédio, e aquele cheiro que eu nunca mais vou sentir... Pois aquelas noites todas é que me preparam para você. De alguma forma tudo foi embora. E eu achei que nunca fosse me livrar daquele sentimento estúpido, daquele medo esquisito. A paixão sempre me assustou, era como mergulhar fundo no mar da praia, e aguentar as ondas brincando de me deixar sem ar, o susto, os olhos ardidos pelo sal, o sol queimando as maçãs do meu rosto. E a areia, essa que fica impregnada em cada peça de roupa, em cada canto do apartamento, da rua, da cidade... Passei a te ver em todos esses lugares.
04h17. Se meus dedos pudessem não me entregar! Eu venho me apaixonando pelos meus sonhos. Minhas noites costumavam fazer mais sentido quando eu ainda não queria você. Mas essas palavras todas me encheram de algo que eu tinha esquecido, algo que eu havia me feito livre para esquecer. E assim como encontrar uma correspondência em cima da mesinha de centro da sala, descobri que você endereçou todas esses sentimentos de volta para mim. Eu os guardei aqui.
04h28. Meio copo de café, mais dois cigarros, alguma música cansada e o sono que já me faz andar mal. Não quero dormir, mas ficar acordada me deixa sentada nessas expectativas. Veja bem, eu nunca tive a intenção de ser clara. A ilusão é bem assim: rodeia a cabeça, entontece, e muda o foco. Detalhes, eu já perdia todos eles. Então, quando considerava dormir, vinha à minha cabeça a imagem de eu acordando de bruços pela manhã, a janela mal fechada clareando todos os meus móveis, meus olhos focariam a fronha do travesseiro, logo depois o meu celular e o cenário seria todo um borrão. Esperaria encontrar alguma mensagem sua, só para ler e suspirar para o teto. E se eu estivesse com você, passaria o dia todo na cama!
05h02. Odeio esses pássaros cantando. A alegria deles me atormenta, ela anuncia a mudança da minha rotina. Perdi quantas noites? E levantar da cama que já rolei dezenas de vezes parecia a única saída. Alcançar enfim o espelho do banheiro, e perguntar ao meu reflexo o porquê de eu continuar acordada. Esfregar o rosto com as mãos... É só medo.
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Vencida
Infantilmente cobri minha cabeça com o cobertor acreditando que de alguma forma você e o mundo todo pudesse desaparecer ali, para mim. Acreditando que, magicamente e só porque eu queria, tudo aquilo que eu estava sentindo fosse embora por algum tempo. E que de um jeito simples fosse eu que controlasse. Mas eu não controlava porra nenhuma e ainda doía muito. Ainda dava para sentir sua falta. Ainda dava para sentir o medo, o frio, a raiva... Ah, que raiva!
