Acredito sem acreditar, e desacredito acreditando.
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
Remissão
É como se eu tivesse engolido um monte de areia a seco, gritos que lixaram toda a minha garganta. O coração ainda corre, minha respiração descompassada fica difícil de domar. Essas lágrimas hesitantes que molham meus olhos mas não ousam cair, ainda não decidiram se aparecem pelo ódio ou pela tristeza. E eu sinto uma culpa tão grande por alguns sentimentos que carrego pela minha mãe, e aflição por não conseguir esquecer das coisas ruins por apenas um instante, porque quando uma esquece, a outra faz lembrar. Às vezes eu queria só perguntar como ela está, ouvir histórias engraçadas do passado, saber melhor quem ela era antes de ser a minha mãe. Às vezes eu só queria dizer como eu estou, sem ter que ouvir como eu deveria ter feito melhor ou de outra forma, e contar mais do que ela não conhece da minha vida só para ela realmente enxergar quem eu realmente sou além de sua filha. Mas tudo acaba em discussão, a mesma discussão de sempre.
domingo, 22 de dezembro de 2013
Sem contexto
Agora era a hora que eu ia te pedir ou dar um beijo, assim, sem contexto nenhum. Porque é nessas horas que parece que eu te amo mais. Mais que ontem, mais que antes, que algumas horas atrás.
O que a gente faz
Agora eu queria te cheirar e te beliscar. Puxar a colcha e fazer uma cabaninha, sussurrar teorias de conspiração. Sentir tudo abafado, e ficar quase sem ar. Desfazer a cabaninha. Apoiar minha cabeça em uma das minhas mãos e olhar você... Sentir vontade de te beijar. Rir no meio do beijo, falar qualquer besteira. Virar de barriga pra cima e dividir de paisagem o teto enquanto seguro a sua mão.
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Agosto de 2009, para lembrar com carinho
Ela é como aquela que entra no seu quarto, abre as janelas antes que você abra seus olhos, e te força a acordar. E depois, muda todos os seus móveis de lugar. Sai por meses, e quando volta, está tudo exatamente como deixou. Ela é bem assim, a mudança que eu não quero mudar.
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
Minhas maiores dores
Minhas pernas doem e eu nem comecei a correr ainda. O tempo... Ah, o tempo! Eu falo dele como se ele próprio tivesse se personificado em um vilão.
Minha cabeça dói como se não houvesse espaço para tantas ideias que latejam, latejam e latejam. Como se elas próprias tivessem se personificado em inimigos.
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
Estudante
Vou vivenciar a minha dor da cabeça aos pés, rezando para que algo na minha vida ainda faça tanto sentido pra mim. Eu me encontrei tão bem, que agora que tudo isso chegou ao seu fim, eu me vi perdida. Sem era, nem beira, só com uma paixão no peito e as incertezas me formigando o corpo todo. Freud descreveu tão bem as etapas e o movimento do luto, as mesmas que me renderam madrugadas tentando traduzí-las nas minhas próprias palavras, que agora já não existem mais palavras que descreva o indescritível. Hoje eu vejo cada lembrança, das mais vagas, das mais distantes, triste ou felizes, às mais recentes recebendo o mesmo suspiro sofrido.
E eu lembro que cheguei atrasada para o meu trote, e da vergonha que senti quando tropecei na escada e uma aluna que não lembro o nome nem o rosto perguntou se eu estava passando bem. Não sentia falta da escola, do ensino médio, porque aquilo tudo era novo demais pra me fazer olhar pra trás. E porque antes, nada tinha realmente feito tanto sentido.
A professora que me apresentou o campus foi uma das que eu mais admirei no decorrer de todo esse tempo, e sentou na minha banca. Minha primeira amiga, dividiu comigo a apresentação e o trabalho mais importante da minha vida, e do primeiro continuou até o último. A primeira cerveja de posto de gasolina, sentadas num banco de ponto de ônibus, contanto sobre os poucos anos de vida, amores. A gente nem se analisava naquela época... E se eu fechar meus olhos... Consigo lembrar do cheiro daquela época. Porque época tem cheiro, pelo menos pra mim.
Fui tão inocente que vivi aquilo tudo numa intensidade desmedida. Eu mergulhei fundo a ponto de sentir desespero, falta de ar, medo de não chegar à superfície a tempo. E que falta de ar! O medo me sufoca, a angústia segura o coração parado, comprimido. E areia nos olhos, vermelhos, cheios d'água, borrando tudo, da mesma forma que vejo meu futuro: um borrão desforme, ainda desfocado, sem precisão de distância.
Eu gostava de ir pra lá, especialmente daquele lugar longe, frio demais no inverno, quente demais no verão, sem bares, sem nada. Eu gostava mesmo de estudar, e nem ia em festa. Aquele campus era calmo e quieto feito o estudo. E de tão tranquilo abatia, ainda que de leve, a minha ansiedade doentia. Era a minha desculpa mais bem feita, era o meu intervalo, a minha preparação, minha licença poética para ser qualquer coisa em sonho. Eu sonhei com isso, e agora que virou realidade...
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
A conclusão da faculdade
O meu TCC foi sobre Luto, e isso não torna as coisas mais fáceis. Acho que eu ainda estava em estágio de negação, ou não queria olhar para trás. Sei que cada um leva um significado próprio da faculdade, e muitos entraram por seus singulares motivos, mas no meu caso foi algo realmente muito maior do que tudo o que eu esperava: eu mudei de verdade.
Confesso que demorei um pouco para me tocar de que estava fazendo um curso de saúde. Psicologia sempre me trouxe uma curiosidade misteriosa, e minha escolha foi tão instintiva que mal me lembro do que realmente me motivou a me inscrever nessa loucura toda. Não sei ainda se já me sinto uma psicóloga, e nem sei como é que um psicólogo deve se sentir, eu só sei que falta uma semana para eu concluir essa graduação e fico um pouco atordoada, perdida...
Sempre achei que o problema fosse comigo, que eu simplesmente fosse uma daquelas pessoas que não gostasse de ler e pronto. Até que descobri que eu ainda não conhecia assuntos que me embarcassem a grandes leituras, e foi assim que me apaixonei pela psicanálise: gostando de ler. Dali pra frente passei a encarar abordagens que eu não gostava ou não concordava porque é importante entender o outro para se entender. Cutuquei a minha própria ferida, e confesso que ainda não entendendo o porquê da morte e luto me fazer tão mal, muito menos criei uma tolerância para lidar com esses assuntos, mas ao menos pude me aproximar de autores da qual sempre admirei tanto. E nessas já achei que fosse Freudiana, Kleiniana, e me rendi a estudar o cara que mais critiquei em todos os meus anos de formação: Jung. Descobri na prática que não é a área clínica que eu quero seguir. E aprendi a pesquisar! Tomei um gosto tão grande pelos estudos que nem preciso mais usar provas e avaliações como pretexto.
Das pessoas que eu conheci, só me vem um pesar de pensar que não seremos mais obrigados a nos ver todas as semanas por um objetivo comum. Mas eu vou lembrar tanto de vocês e do nosso lugar... Os primeiros anos de toldo, quando a gente ainda matava aula por causa de cerveja. Depois a parceria e a união de nos vermos todos reunidos na sala de estudo horas antes da prova para ajudarmos uns aos outros a nos sairmos bem. A troca de conhecimento. E depois os TCCs que nos tornaram referências uns dos outros. Que orgulho que eu tenho de mim, e de todos vocês, da gente!
Dos professores, eu os vejo como os deuses gregos, todos imperfeitos e cheios de sentimentos e paixões humanas no meio de todos nós. A princípio tão superiores em seus pequenos palcos em salas de aula, mas logo os víamos brigando e discordando entre si, nos dando tantos exemplos bons quanto ruins. E vivíamos extremos de aulas insuportáveis e aulas apaixonantes, e lidávamos com orientadores preocupados ou realmente desinteressados. Mas alguma coisa eles nos ensinaram, seja de referência e literatura como de relações humanas. Tudo me deixou melhor, e fiz bons amigos. Eles são bons amigos, que trocam e-mails, e te cumprimentam pelo corredor, e cada um com seu jeito peculiar e seu grau de aproximação característico. Eles são como nós, apenas não saíram da faculdade ainda.
Eu sei que eu vou sentir tanta falta, e que esses podem ter sido os melhores anos da minha vida. Mas nesse momento eu prefiro me render ao cansaço, à vontade de conclusão, à felicidade de ter passado por tudo isso sem desistir, com algumas pessoas que hoje eu posso dizer que amo, e amo muito.
Parabéns pra mim, e pra gente, meus amigos psicólogos ♥
Obrigada!
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
D
É dessas noites que eu tenho medo... Você me deixou a sua insônia, seu cheiro, seu sorriso, seu sarcasmo atraente, seus melhores beijos de travesseiro. E eu deito aqui querendo você, para te abraçar antes de virar para dormir... E eu não durmo porque falta você. Acho que já sinto sua falta. Isso é assim tão piegas? Ai... Meu coração é fraco, ou já não é mais meu.
