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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

A conclusão da faculdade

O meu TCC foi sobre Luto, e isso não torna as coisas mais fáceis. Acho que eu ainda estava em estágio de negação, ou não queria olhar para trás. Sei que cada um leva um significado próprio da faculdade, e muitos entraram por seus singulares motivos, mas no meu caso foi algo realmente muito maior do que tudo o que eu esperava: eu mudei de verdade.

Confesso que demorei um pouco para me tocar de que estava fazendo um curso de saúde. Psicologia sempre me trouxe uma curiosidade misteriosa, e minha escolha foi tão instintiva que mal me lembro do que realmente me motivou a me inscrever nessa loucura toda. Não sei ainda se já me sinto uma psicóloga, e nem sei como é que um psicólogo deve se sentir, eu só sei que falta uma semana para eu concluir essa graduação e fico um pouco atordoada, perdida...

Sempre achei que o problema fosse comigo, que eu simplesmente fosse uma daquelas pessoas que não gostasse de ler e pronto. Até que descobri que eu ainda não conhecia assuntos que me embarcassem a grandes leituras, e foi assim que me apaixonei pela psicanálise: gostando de ler. Dali pra frente passei a encarar abordagens que eu não gostava ou não concordava porque é importante entender o outro para se entender. Cutuquei a minha própria ferida, e confesso que ainda não entendendo o porquê da morte e luto me fazer tão mal, muito menos criei uma tolerância para lidar com esses assuntos, mas ao menos pude me aproximar de autores da qual sempre admirei tanto. E nessas já achei que fosse Freudiana, Kleiniana, e me rendi a estudar o cara que mais critiquei em todos os meus anos de formação: Jung. Descobri na prática que não é a área clínica que eu quero seguir. E aprendi a pesquisar! Tomei um gosto tão grande pelos estudos que nem preciso mais usar provas e avaliações como pretexto.

Das pessoas que eu conheci, só me vem um pesar de pensar que não seremos mais obrigados a nos ver todas as semanas por um objetivo comum. Mas eu vou lembrar tanto de vocês e do nosso lugar... Os primeiros anos de toldo, quando a gente ainda matava aula por causa de cerveja. Depois a parceria e a união de nos vermos todos reunidos na sala de estudo horas antes da prova para ajudarmos uns aos outros a nos sairmos bem. A troca de conhecimento. E depois os TCCs que nos tornaram referências uns dos outros. Que orgulho que eu tenho de mim, e de todos vocês, da gente!

Dos professores, eu os vejo como os deuses gregos, todos imperfeitos e cheios de sentimentos e paixões humanas no meio de todos nós. A princípio tão superiores em seus pequenos palcos em salas de aula, mas logo os víamos brigando e discordando entre si, nos dando tantos exemplos bons quanto ruins. E vivíamos extremos de aulas insuportáveis e aulas apaixonantes, e lidávamos com orientadores preocupados ou realmente desinteressados. Mas alguma coisa eles nos ensinaram, seja de referência e literatura como de relações humanas. Tudo me deixou melhor, e fiz bons amigos. Eles são bons amigos, que trocam e-mails, e te cumprimentam pelo corredor, e cada um com seu jeito peculiar e seu grau de aproximação característico. Eles são como nós, apenas não saíram da faculdade ainda.

Eu sei que eu vou sentir tanta falta, e que esses podem ter sido os melhores anos da minha vida. Mas nesse momento eu prefiro me render ao cansaço, à vontade de conclusão, à felicidade de ter passado por tudo isso sem desistir, com algumas pessoas que hoje eu posso dizer que amo, e amo muito.

Parabéns pra mim, e pra gente, meus amigos psicólogos ♥

Obrigada!

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