É como se eu tivesse engolido um monte de areia a seco, gritos que lixaram toda a minha garganta. O coração ainda corre, minha respiração descompassada fica difícil de domar. Essas lágrimas hesitantes que molham meus olhos mas não ousam cair, ainda não decidiram se aparecem pelo ódio ou pela tristeza. E eu sinto uma culpa tão grande por alguns sentimentos que carrego pela minha mãe, e aflição por não conseguir esquecer das coisas ruins por apenas um instante, porque quando uma esquece, a outra faz lembrar. Às vezes eu queria só perguntar como ela está, ouvir histórias engraçadas do passado, saber melhor quem ela era antes de ser a minha mãe. Às vezes eu só queria dizer como eu estou, sem ter que ouvir como eu deveria ter feito melhor ou de outra forma, e contar mais do que ela não conhece da minha vida só para ela realmente enxergar quem eu realmente sou além de sua filha. Mas tudo acaba em discussão, a mesma discussão de sempre.
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
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