Eu te vejo como uma nota, a mais bonita de uma batida lenta no violão. Eu te sinto de um jeito suave e lento, algo que se acompanha sem esforço com os olhos. Você é como uma música que me rende pelos ouvidos, e acalma as minhas tempestades de pensamentos na insônia. Muitas vezes, eu já te vi preso no meu sorriso, enquanto eu me via feliz dentro do espelho. A parte mais bonita da minha vida é sua. Acho que sempre será. Você foi a coisa mais certa que eu já fiz em anos. Só que vez em quando, até a coisa certa, pode parecer a mais errada. É tudo uma questão de percepção, de estar à vontade com isso, aquilo, com o que nos tornamos. E eu fiquei bem melhor depois de te ter.
Eu sei que você pediu para que eu aguentasse mais um pouco, e é o que estou tentando fazer. Estou te segurando da melhor forma que consigo. O problema é que eu passei a ser mais sincera comigo do que com você. Mas isso era para ser uma coisa boa, né? Nesse tempo todo, o seu egoísmo se tratava de nós dois. Mas o meu não. O meu egoísmo se trata apenas de mim. E agora vendo sua mão, esticada para mim, como quem estica uma vida de planos, uma vida de melodia calma. Olha, fica bem difícil sair e abraçar o mundo, o meu mundo que me espera fora do que somos agora. Eu mentiria se não dissesse que às vezes, ele é tudo o que eu quero. Quanto mais eu me prendo na mesma coisa, mais as coisas mudam. Devo estar me sabotando. É, eu não duvido disso.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Sabotagem
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