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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Pesadelo

Tem esse sonho que algumas noites repetem, onde o sono me coloca em um pedaço desabitado de cidade. Conseguia te ver, estava de costas, meio quarteirão adiante. Era mesmo você, já podia te sentir. O vento fazia carinho nos seus cabelos e me trazia seu cheiro, senti ciúmes. Poucos passos meus te alcançariam, e isso fazia de mim toda um grande sorriso por dentro. Por alguns segundos o mundo era apenas aquele chão descolado da terra, um cenário cinza que nos envolvia com ar gelado de outono, e folhas secas flutuantes.
Quando me aproximo, esse carro sempre passa como um susto pela rua que corta a gente. E antes que eu atravesse, o farol vermelho me faz parar. É como se toda aquela situação quisesse me contar um segredo. Nessa espera você se vira, e me encara por alguns instantes. Seus olhos me esquentam tanto que eu quase desejei que isso durasse tanto quanto eu fosse durar... Até perceber seu olhar me atravessando vazio, e entender que você já não podia me reconhecer. Isso deixava um gosto de desespero na minha boca. É quando eu acordo para continuar na cama, amando sozinha.

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