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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Retrato atual

A madrugada era quente, como se fosse dia e houvesse um sol lhe esquentando através da janela. Mas estava tudo escuro, e só se ouvia o ruído de um fraco ventilador. O resto era pensamento que falava dentro da cabeça, pensamentos que vez ou outra pegavam velocidade em alguma ideia que feito fumaça logo desaparece antes de fixar alguma forma. Era assim que via seus sonhos, com óculos ou sem óculos, todos eram dissolvidos no ar.

Já não se entendia tão bem com amor, era novidade vê-lo funcionar assim, tão mais espirituoso que carnal. Pouco tinha com a família, menos ainda com o dinheiro, do tempo e do que esperavam dela. E ela, sozinha, quando pouco mal se entendia, cabeceava com o sono, cabeceava com os livros, e nada. Nem uma inspiração sequer faiscava. Apenas um vazio. O nada e o tudo. Há de ter um tudo guardado no nada, e um nada em tudo. E nessa incerteza entre o sim e o não, ela pôs a esconder sua esperança.

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