Eu não consigo encarar a morte. Chega a ser papético como eu escolhi luto como assunto para me especializar na faculdade. Eu lembro quando a professora anunciou que falaria do módulo do idoso e morte. Lembro bem quando ela falou articuladamente de cada uma das perdas, e elas todas me chegavam como socos, empurrões agonizantes no peito. Não, não é normal. Muito menos saudável. Eu aprendi assim. É que eu vi isso: a perda se transformar em culpa, e a culpa se transformar em agonia, e assim o desespero tomar conta. Nada disso é meu, mas eu adotei, porque essas tinham sido as minhas únicas referências.
Hoje a teoria ainda não me fez vencer o medo da prática. Não que eu queira treinar para perder. Ninguém se prepara para uma coisa dessas. Mas a gente perde, e dai a gente continua com o que tem.
segunda-feira, 27 de janeiro de 2020
A cara da morte
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