Eu costumava fumar, sabe? Geralmente de madrugada, quando eu me sentia com toda uma vida pela frente. O preto do céu, a sensação de infinito com gosto de fumaça nos meus pulmões. Fumava torcendo para viver uma aventura que parecesse com algum livro, daqueles que me faziam sentir coisas. Eu estava com o coração pronto para ser despedaçado e machucado. Desesperada para me sentir viva, mesmo que fosse flertando com o perigo.
E então eu encontrei um parceiro. Não posso dizer que me apaixonei, ou que o amei. Eu só me sentia atraída pela sua melancolia, seu porte andrógeno e sensível, e sua fraqueza por drogas. Na época, meio que todo mundo estava usando algum tipo de droga. É uma confusão muito maluca na cabeça dos adolescentes. A gente quer deixar uma marca em tudo, seja no psicológico, no mundo ou apenas as nossas iniciais numa árvore.
Eu costumava fazer muita merda, sabe? E não me orgulho disso hoje em dia, que também nem faz mais parte de mim. Nem o jeito imprudente de levar a vida. Mas eu gosto de tudo que eu fiz. Serviu ao seu propósito. Eu sobrevivi, estou melhor e maior. Enfim, viva.

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