Lembro que eu confiava que as estrelas pudessem me falar mais sobre você. E elas nunca fizeram jus a quem você é. Elas não tiveram a sorte de estar tão perto. Hoje já não espero te ler em calendários desenhados pelo céu. Os anos te mudam, nos mudam, e mesmo assim me sinto sempre em tempo. Não há presciência nessas mudanças. É preciso viver junto para ver o sutil. Morar no agora com atenção. E você me tira a pressa, me guia para fora da ansiedade. Respiro fundo, tranquila e segura. Porque eu me sinto segura quando você segura a minha mão. E com calma eu consigo reparar no jeito em que você aperta os dentes para se concentrar, notar as sardinhas nas suas pálpebras, em como você abre os olhos devagar ao acordar. Eu percebo o quanto é difícil me segurar para não te abraçar de madrugada e perturbar seu sono. Te vejo em todos os cômodos que você decorou, e na forma como você me decora, esbarrando em detalhes que só você percebe.
sexta-feira, 30 de dezembro de 2022
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário