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segunda-feira, 24 de julho de 2023

Cartas que nunca entreguei

É como se o papel falasse mais comigo do que o contrário. Eu tinha colocado trechos dessas histórias que seguiam pautas que só seguiam fantasias. E me peguei contando coisas que nunca nem encontrei de novo. Coisas que só buscariam refúgio no seu endereço. Mas as folhas nunca chegaram. As folhas nunca chegaram a sair do meu caderno! Também nunca consegui falar, porque tem essas coisas que só se dizem com os dedos. 

Escrevi tantas cartas que extraviaram no medo, onde minha caligrafia vacilante mudava conforme o que eu sentia, e assim comunicava mais do que as próprias palavras. Todas essas cartas eram mais para mim do que para você, e nesse violento mergulho de tinta e choro, eu apenas escrevi segredos.

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