Tinha uma receita pendurada no fundo da geladeira, presa num imã surrado. Era a sua caligrafia, tão pequena, discreta e precisa. A mesma que tem sua mãe. Eu vi a folha enquanto preparava a cafeteira. Não era manhã ainda e eu vagava pelos meus pensamentos. Até que aquela nota me devolveu os pés no chão, como quem volta para casa. As letras me envolveram no familiar, na segurança de seguir um passo a passo, lido e relido tantas vezes, mas que nunca se deixou decorar.
sexta-feira, 27 de dezembro de 2024
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