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terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Pesado

Eu posso falar do egoísmo, e de como ele estragou você. Não sei direito o que sobrou da gente, nem ao certo o que ainda se salvou no meio de tanta coisa que apodreceu. Suas mãos conseguiram rasgar a imagem tão bonita que eu tinha feito de você. Juro, não quero te perder. Mas você parece que faz questão de se perder sozinho, de se perder daquilo que costumávamos ser. Tenho medo de não conseguir mais aguentar, de não conseguir mais te segurar. Você anda muito pesado, muito pesado...

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Desestimulante

Já lhe ocorreu que talvez eu realmente não te queira? Isso não é tão impossível assim, e eu não preciso disso, não mesmo. Odeio essa sua mania de esticar os elogios que eu te faço, deixando-os bem maiores do que são. E você se ama demais para amar em troca. Cansei do seu orgulho somado a esse pretencionismo desmedido. Existem outras pessoas no mundo, e o que é melhor, no meu mundo. Pra mim chega, chega de você!

sábado, 17 de janeiro de 2009

Diariamente

Depois que desliguei a televisão, dormi por apenas três horas. Quando acordei, fiquei pensando em como é gostoso te ter, confortável, seguro. Sinto que com você respiro fundo, aliviada, todos os dias. É uma busca a menos para mim, o amor, já encontrei em você. E agora que meu peito aperta saudade, eu me sinto tão besta, porque te vi ainda agora, ainda a pouco apoiava minha mão na sua cintura, debaixo de um guarda-chuva.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Perdida

Nem tudo o que deixei passar estava realmente ao meu alcance. É nisso que o amor vive errando. Ele tem rachaduras, vaza e escorre, corre para outras pessoas. Às vezes nem volta, às vezes se divide. A questão é que depois que se encontra outra pessoa para pendurar os olhos, não há mais nenhum retorno seguro sem forçar. Alguma coisa sempre se perde, alguém sempre perde.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Seu pedaço meu de você

Lua cheia e céu estrelado, amanhã não chove, amanhã não tem você. Perdi esse meu pedido entre as milhões de estrelas. Eu queria ter olhado para cima e encontrado apenas uma fora das nuvens, apenas uma esperando eu te pedir para mim.
Sempre achei que o inverno combinasse mais com a gente, então vou esperar pelo verão passar. Vou te esperar chegar, e o tempo que eu tiver que esperar.
Contei nossos meses como quem conta as estrelas, e contei a elas sobre você. Eu disse que você vem comigo. Vem?

sábado, 10 de janeiro de 2009

Um pedaço do meu inferno

Eu quero que o sol venha secar meu rosto, e quero justo agora, que já é noite. Os dias bons não chegam nunca, e eu não sei até quando consigo esperar em segurança.
Nunca acreditei que esses títulos falassem tanto sobre alguém. Sabe, eu falo por mim, não monto discursos. E não tenho nada para barganhar caráter. Será que é nisso que eu perco?
Hoje fiquei tão decepcionada. Já cheguei a ver isso antes, mas preferi não acreditar, fiz questão de esquecer. Agora, eu faço questão de abrir um espaço em destaque na memória para essa cena, eu quero me lembrar muito bem de cada frase, cada ameaça, cada agressão.
Acho tão fácil salvar só a sua parte boa para pendurar numa vitrine para os outros, mostrar só o que agrada. Quero ver alguém vencer a parte de aceitar os próprios defeitos, ser o que é sem esconder as fraquezas, os medos, as anormalidades. Posso não ser tanto, mas juro que prefiro não esconder o que sou, porque imagens montadas costumam cair, é a lei da gravidade. E um dia eu te vejo cair. Eu não tenho pressa, não se preocupe.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Sobre a espera

Essa vida sempre foi uma sedução.
Bem que eu poderia ter esperado um dia menos quente para sair de casa, ou esperado um momento melhor para ter me apaixonado. Sei lá, alguma hora em que eu a visse mais de perto. Só que no fundo, sei que não seria diferente. E se fosse, jamais chegaria essa tal hora, jamais existira o perto. Hoje, por querer tanto, o perto existe nos sonhos, é comida da vontade, e cabe nas madrugadas de sono ou insônia.
Mas o que eu queria mesmo saber é o que se faz quando se espera. Eu quero dizer, qual é a ação que rege o verbo esperar? Não falo necessariamente de sentar-se em frente ao relógio, de braços cruzados, acompanhando os ponteiros andarem. Às vezes, acredito que ninguém espera de fato. E se espera, é porque sente. Esperar é sentir, sentir muito, ou sentir antecipadamente o que a gente quer pintar para o futuro. E se de repente eu espero, vou também esperar que tudo não seja apenas um grande desperdício.