Eu não sei onde eu vou
assim
sozinha
escalando o céu.
sábado, 23 de junho de 2012
sábado, 17 de dezembro de 2011
Um castelo invisível
Em algum tempo eu te falaria, mas não hoje. Me sinto uma idiota agora que meu passado parece não servir para nada, enquanto o seu é uma ponte pronta para fugir da tristeza. Agora é como se nada do que eu tivesse vivido fosse mesmo me ajudar a encontrar as melhores saídas, enquanto tudo o que você viveu continua vivendo. Em algum tempo eu até te falaria, mas não hoje, onde nada daquilo que é construído pela minha cabeça é real. É como se eu tivesse te construído um belo castelo, mas um castelo invisível, onde você só vive por lá nos meus pensamentos. Mas a pior sensação é essa que tenho de que te vi na vitrine e não pude pagar. E passo todos os dias para te ver atrás do vidro, sem poder te levar embora. Como eu queria poder te levar embora!
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Eu quero alguém para me fazer largar os cigarros
As chaves esquecidas na porta mexiam com o vento, e as risadas se ouviam baixinho, deslizando feito sussuros, pelo corredor. As cortinas não conseguiam esconder toda a luz, e mostrando o caminho, sapatos largados e cadarços desamarrados na soleira da porta. Pés descalços dançavam na cama, quando a felicidade batia no teto.
A gola da jaqueta levantada e alguns botões da camisa por abotoar, foi como saiu de lá, arriscando um caminho de volta para casa enquanto atravessava as ruas com pressa. O fogo do isqueiro não conseguia iluminar a noite fria, mas o cigarro esquentava a garganta que engolia a seco, amarga. E as estrelas apagadas daquela noite não contariam história melhor, de como você me achou e assim eu te perdi, quando no meu quarto a saudade batia no teto.
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Antigo, muito antigo
Fugiram no meio da festa para fumar um cigarro. O tempo estranho convidou a chuva, e assim os dois dividiram o mesmo degrau molhado. O garoto falava dos sapatos parecidos, enquanto a menina fingia ouvir com o olhar preso ao chão. Ela o adorava pelo avesso, e ele era único, feito uma exceção. Aquela noite que antecipava a primeira viagem era nova; chovia para eles. Chovia para molhar os cabelos, as roupas e os beijos. Quando os pés da menina desistiram de andar, os namorados deitaram na calçada. Ele tinha mania cuidar do sono dela dizendo palavras mornas e confissões confusas que o álcool evaporava. Culparam o ciúme. O ciúme os expulsou da festa e os levou para casa. Mas a importância se perdeu no tanto faz, já que o final de semana os apaixonaria novamente. E assim aconteceu, outra vez.
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Quando volta o romantismo
Não sei como entrei nessa situação, nada poderia ser mais inesperado. Juro que estava andando sem pressa, mantendo sempre a calma na frente. Mas tudo nela é tão viciante. Ainda não sei dizer o que é que ela tem. Ontem mesmo, eu estava dentro de um ônibus, tomando conta da minha vida, e ela apareceu em algum trecho de qualquer música que tocava nos meus fones de ouvido. A primeira coisa que fiz foi abrir a caixa de texto do meu celular para digitar algumas palavras para ela. Não sou assim. Na verdade, sou, mas estava fugindo desse negócio todo. Estava tentando ser alguém sensato, diferente do que já experimentei, e tentando não me deixar levar por ninguém. O pior é que ela não me leva, ela me traz. É esquisito, eu sei. A questão é que não me sinto perdida de mim, perdida na vida de uma outra pessoa. Estou certa das minhas próprias coisas. Ouso dizer que estou livre. E quando ela liberta as minhas frases rimadas, meus sonhos pintados, meus longos suspiros... Ela me traz, definitivamente, ela me traz de volta.
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Goodbye
Pensei que fosse doer mais, e de repente eu não senti mais nada. Nunca achei que esse enfim vazio pudesse me incomodar tanto. Não é como se eu sentisse a sua falta e quisesse te ver, não é como se eu ainda sentisse ciúmes ou vontade de voltar atrás, acho até que não me lembro da sua voz ou do seu cheiro. Talvez seja só uma saudade de sentir saudade, de ter algum sentido, bom ou ruim, em todo caso, um sentido. Talvez eu até preferia chorar, olhar para cima me perguntando onde foi que tudo deu errado. Mas agora eu vejo que tudo deu certo.
