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terça-feira, 2 de dezembro de 2014

O incerto

Dói tanto não saber. A dúvida, a incerteza, a interrogação, a neblina, o silêncio. Aperta, acelera o peito, contorce o estômago, seca a boca, e me enche de calafrios. Eu tenho dois dias. Apenas dois dias, e queria que eles corressem para que eu não mais sentisse tanta ansiedade, para que eu soubesse, ainda que somente fosse um não dolorido. Ao mesmo tempo, do lado de cá, do lado da insegurança, eu queria tanto ter mais tempo, assim, para bolar um plano b, algo que me desse um bem-vindo sim.

A vida tem corrido, e por vezes sinto não acompanhá-la. Estou sempre tão atrasada. Tão atrasada!

quarta-feira, 9 de julho de 2014

A sombra do luto

Durante muito tempo eu evitei gostar muito de coisas ou pessoas porque tudo acaba. Acho que foi por isso que o luto me atormentou tanto, e me atormenta até hoje. Eu posso entender perfeitamente o processo pelo qual perpassa cada pessoa durante a perda e sua elaboração, no entanto sinto uma dificuldade indescritível em lidar com isso. O mais foda é que nunca nem perdi uma pessoa, assim, para a morte. Sei que não é como se houvessem pessoas preparadas para perder, mas eu me sinto a mais despreparada delas. Apenas pensar nisso envolve minha garganta num nó desatador.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Descrença

Nasci como bicho, sem saber de onde vim, nem para onde vou. E eu continuo como um animal que não sabe para o que serve, e que em meio a tanta confusão se perde. Porque quanto mais se sabe, mais se descobre que há para saber. E eu tentei, juro que tentei ser organizada. Mas como é que se organiza a curiosidade? Como é que se organiza as ideias que escapam da permissão?

Hoje descobri que o homem sofre por estar no meio do caminho do conhecimento: se percebe mas não se conhece. Ah! Quem dera se pudesse ser como esses que creem nas magias, nas histórias absurdas, e que se asseguram numa tal verdade rígida, sem senões ou reflexões, estes são os que tem consolo. Já eu não tenho descanso, eu sou escrava do simbologismo, eu segui minha inquietação, tornei-me inteira confusão. Se ao menos eu não tivesse percebido que tudo isso não passa de uma grande e bem feita ilusão... Não estaria me perguntando: Por quê?

Lamento

Eu
não aguento mais
esse grito rouco dentro de mim

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Vai parecer conformismo

A nossa maior prisão ainda é o tempo, e só através do seu movimento é que se faz possível enxergar os reais motivos dos acontecimentos como o da dor, da agonia, do medo, do terror, das alegrias, daquilo tudo que nos moldou até aqui. Talvez eu tivesse de ser traída pela pessoa que mais amei no mundo para nunca me deixar ser traída por mais ninguém. E talvez eu tivesse mesmo que perder um amigo para pedir perdão a outro. E ainda, talvez eu tivesse que perder as melhores oportunidades porque elas não eram as melhores oportunidades. É impossível vislumbrar o futuro, e é da limitação do presente que fazemos o nosso melhor juízo falho. Que me aconteça o melhor, mas o melhor que eu não sei, nunca soube e sempre me surpreendeu, porque até as maiores dores tem de reflexo as suas alegrias.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Gratidão

É olhar pra sorte ao invés do azar. Pensar nos detalhes que compõe a minha vida e conseguir aceitar o que vai para abrir espaço ao que ainda vem. É aprender a se despedir.

terça-feira, 8 de abril de 2014

A culpa também é minha

Estou ansiosa para perdoar, sorrir e te abraçar. Os dias vão mudar, vão virar de direção assim como um barco que segue os bons ventos. Assim os dias melhores chegarão como ondas. E ainda teremos tempo de criar boas memórias, conversas sinceras e se conhecer de verdade. A nossa vida inteira tentando se entender. Mãe, apesar de tudo, eu amo você.