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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Vencido

A sala ainda parecia girar quando eu entrei, e um dos meus últimos desejos ao me sentar no sofá ainda era fazer as pazes com a minha consciência. Eu queria colocar um pouco mais de significado nessas almofadas, nessas cortinas, nessa mobília toda! Na verdade, queria conseguir remobiliar a gente. Estamos fora de moda, desencaixados de nós mesmos. Passamos do tempo, do nosso tempo, e nos deixamos passar.
Nesses dias difíceis é capaz de se perder da própria sombra em qualquer esquina, porque as coisas, as pessoas se afastam, e aí o sono não visita mais, o telefone esquece de tocar, o rosto perde o interesse pelo espelho. Não achei fácil deixar você bater a porta, mas não quis te impedir de desistir de mim pois eu já havia desistido da gente. Quando eu te vi de costas, se afastando aos poucos no horizonte, eu me lembrei de como costumava me sentir ao te ver chegando lá de longe até bem perto da minha boca. É sempre assim, agora do fim, a gente pensa no começo.

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