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segunda-feira, 22 de julho de 2013

(Re)ler você

Começava pelos sons, que entorpeciam assim como a chuva que envolve de sono e preguiça, e de uma segurança confortável embalada em cobertor, com gosto de conversas de cama, olhos fechados e situações rebobinadas. Depois era como afastar a cortina e enxergar o céu nublado, pós tempestade, de um cinza quase branco de tão calmo e uniforme. Então sentir-se viva por causa do frio insuportável, ou pelo gole na bebida quente que queima a língua num susto. Era assim, tão forte que doía mesmo, que o peito parecia abafar as batidas, o pulso, e o correr de todas as veias que se espalham e colorem o meu corpo. E o meu corpo todo que passa a sentir em imagens, essas que se prendem na minha retina, assim como se pregaram os seus olhos nos meus pensamentos e ficaram feito quadros enigmáticos que se esbarra em cada parede. Nessas horas eu já não sei mais se o assunto é você ou se sou eu; se é você ou se sou suas coisas todas colocadas dentro de mim, como se eu fosse prateleira e você fosse livros. Seus vários assuntos, seus vários vocês, folheados dia após dia, que quando se termina um, tem-se logo um outro, sem te terminar.

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