Uma luta contra o despertador. Um pé na frente do outro tateando o escuro. Alguns segundos apoiando na cômoda, um suspiro para escolher um par de meias. Outro suspiro e eu me lembro de que estou viva e preciso ir. Um tropeço no tênis, um chute na cama e fecho a porta devagar.
A água do chuveiro encobre todo o meu corpo. Fico imóvel alguns instantes tentanto lembrar o que se faz primeiro. Posso estar atrasada e pego no tranco ensaboando meu corpo. Me seco sentada. Bagunço o cabelo e me olho no espelho. Os olhos atravessam meu próprio reflexo. Coragem. Eu visto a roupa, e saio de casa. Volto uma ou duas vezes porque esqueci de algo. Finalmente desço o elevador. Ao chegar na rua ainda escura, estico um dos braços: garoa, mas não quero abrir o guarda-chuva. Não vejo a hora de voltar para casa!

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