O ônibus te chacoalha de qualquer jeito como se você fosse uma caixa de encomenda, e um grupo de adolescentes gritam em rodinha e atrapalham a música alta no seu fone de ouvido. A paisagem na janela não ajuda muito. Os olhos de todos é fundo de desesperança e desespero. As paredes estragadas repintadas e surradas pelo tempo e o concreto barato estão em todos os lugares. Os sinais não são respeitados. As fumaças que saem dos carros se juntam com as das fábricas e a das fogueiras improvisadas embaixo de pontes. O ar é pesado. É um esforço andar sem ser levada pela multidão, sem trombar nas pessoas, sem ser atropelada, sem ser assaltada, sem ser assediada, sem ser roubada de si mesma pelo buraco do abismo cinza e marrom sujo da grande metrópole mal cuidada. É pesado - sobre - viver aqui, ali, ao redor desse caos.
A noite os ruídos não param. A cidade não para. Ninguém descansa. A ansiedade é de todos, o medo e o alerta é geral. Tem que ficar esperto, de sono leve. Tenha pressa. Não atrapalhe! Saia da frente! Estão todos atrasados e correndo. Se não, estão apenas se distraindo da dor que é essa poluição toda.
segunda-feira, 2 de março de 2020
Poluição
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