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sábado, 8 de janeiro de 2022

Desproporcional

Primeiro é uma dor. Não chega a ser necessariamente física, mas vem com uma agonia desmedida. Você nem identifica o motivo, mas percebe uma sensação de opressão no peito, e a respiração não parece ser suficiente para encher os pulmões. O ar vem curto, ainda que rápido. E tudo toma uma outra perspectiva pelos seus olhos. Catástrofes anunciadas pela sua própria voz, no fundo da sua cabeça. E a auto depreciação toma as rédeas. E então você precisa tentar afastar toda essa confusão sua com alguma coisa simples e repetitiva, que te exige atenção, mas nenhum pensamento muito crítico. Você se distrai com algum desenho, com o tricô, lavar a louça ou fazer carinho compulsoriamente nos seus gatos... Algo que te dê uma falsa ilusão de sair de dentro de si. Até que o ar começa a entrar melhor, seus pulmões são inteiramente preenchidos. Você olha ao seu redor, o perigo saiu de cena. E você começa a se afastar desses sentimentos desproporcionais. 

Eu só queria não me sentir assim nunca. Nunca mais. 

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