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quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

Furor

Os olhos engolem o choro com gosto de raiva. Talvez bater portas e gritar fosse mais cômodo do que o silêncio desconfortável. O famoso elefante branco no meio da sala, que não cabe debaixo do tapete. E eu tento mastigar todas as palavras espinhosas que eu poderia me arrepender depois de soltar. Justo eu, que adoro falar... 

Sou feito água numa panela em plena ebulição, respingando bolhas para fora da tampa. Mas uma hora tudo se evapora. Eventualmente a temperatura cai, o discurso se organiza de forma elaborada, e as coisas se resolvem de um jeito mais maduro. 

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