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sexta-feira, 23 de março de 2018

Luto

Eu devo isso a mim. Sinto que preciso me pronunciar e tirar todo esse pesar daqui de dentro. Não, eu não estou legal, desde o dia 14 de março que eu não consigo respirar tranquila, que dormir é difícil, que os olhos permanecem úmidos, que a desesperança me abraçou e que as redes sociais se tornaram ainda mais espinhosas. Desde 14 de março que sinto tanta necessidade de participar de mais protestos e manisfestações sociais. Que dói ser brasileira, mulher e lésbica. 
Deus, só eu sei o quanto sou privilegiada! Estudei em escolas boas, tenho ensino superior, vim de uma família de classe média e nada nunca me faltou. Eu nunca fui discriminada pela minha cor, nunca ouvi tiroteio de dentro de casa, nunca deixei de ir para escola porque haviam mortos na minha comunidade...
E ano de eleição é um ano tão intenso, tão triste. A gente fica agressivo. O preconceito velado fica evidente, mentiras aparecem, a gente relembra tanta lama, escândalos, e temos que decidir, ainda que de mãos atadas, pelo futuro de um país tão maltratado.
Sabe, eu lembro tão bem de quando eu era criança e a minha mãe falava que morávamos numa terra abençoada. Que o Brasil era rico, quente, com pessoas boas, um país sem guerra. Mas eu não sabia que a guerra acontece deliberadamente com os pobres, todos os dias. A cada 9 minutos uma pessoa é assassinada aqui. A cada 10 pessoas que a PM mata, 9 são negros ou pardos. O Brasil é o país que mais mata transsexual no mundo. O machismo rola solto! Com 12 mortes de mulheres e 135 estupros por dia. O país com maior taxa de mortes violentas no mundo. E isso sem nem terem liberado as armas para a população, os ditos cidadãos de bem. Os mesmos que deslegitimizam lutas, que permitem que a igreja que exclui, oprime e discrimina domine com o estado, que preferem hidrelétricas à comunidade indígena, que preferem dinheiro e movimentos na bolsa à questões sociais, e que defendem a propriedade privada ante famílias desabrigadas. Existem mais prédios desocupados do que pessoas na rua, mas ninguém se importa.
Dói. Dói muito. Eu estou de luto e preciso dessa catarse. 

segunda-feira, 19 de março de 2018

Como cantava Elis...

Eu já não durmo bem com a morte de tanta esperança! Com que direito silenciam essa voz? Voz feminina, preta, periférica e lésbica. Como matam tal representatividade eleita democraticamente?

"[...] Mas sei que uma dor assim pungente não há de ser inutilmente. A esperança dança na corda bamba de sombrinha, e em cada passo dessa linha pode se machucar. Azar, a esperança equilibrista sabe que o show de todo artista tem que continuar."
 

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Desligando o sistema central

As pílulas desligam a minha ansiedade. O sorriso vacila na minha boca. Eu não consigo traduzir as coisas que sinto em palavras. E tropeço pelos cômodos procurando conforto no escuro da cidade que vejo através da janela do sétimo andar. 

O chiado das minhas preocupações preenchem o silêncio da madrugada. E eu encontro conforto em abaixar o volume em um mundo dentro de sonhos indecifráveis. O vasto mundo incompreendido dos sonhos com signos, arquétipos, passíveis de análises doloridas.

É saudável buscar refúgio em travesseiros? O prazer é inconsciente e o sofrimento é consciente. Dormir é uma fuga doce.

Boa noite...


sábado, 3 de fevereiro de 2018

Tóxico

Não vou mais deixar a culpa me controlar. Agora que conheci a liberdade que o "não" me dá, eu posso trocar as fechaduras e salvar o meu espaço de invasões indelicadas. 

Eu sou eu, você é você.  

quinta-feira, 20 de julho de 2017

O gargalo da finitude

Eu não fui preparada para a morte. Ela traga tudo.

Eu sinto a sua falta, tristeza

Eu nunca mais serei a mesma. É como se a depressão tivesse deixado um ranço dentro do meu peito. Já não fico triste como antes. A implosão me desmorona em medo e angústia. Eu sou abraçada pela agorafobia, ansiedade e desespero. Já não há mais prazer na minha dor. Não existe inspiração.

Eu nunca mais serei a mesma. Agora que conheço minha sombra interna, agora que fui apresentada à minha pior versão.

Eu nunca mais serei a mesma, agora que me embrulho em meio a tanto plástico. São sorrisos e choros plásticos com meus toques artificiais.

Eu já não sinto como antes. E às vezes eu penso que já não sinto mais. Vivo em terceira pessoa.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Aprender de novo

Será que perdi a intensidade? Eu vi quem fui, e vi quem quero ser. Mas ainda não sei quem sou. Não agora. Escuto tantas histórias, e vou me deixando penetrar por elas. Porém, nada de novo tenho para contar. A vida é cíclica, e sinto que estou entrando em um novo começo.