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terça-feira, 19 de outubro de 2021

Vida real

Parece que eu acordei de um sonho mal planejado, daqueles que desaparecem quando você levanta depressa, e vem aparecendo em flashs desconexos ao longo do dia, sem qualquer sentido que se encaixe numa descrição para alguém. Sem significado definido. Foram apenas horas de situações sem o menor impacto para entreter o cérebro antes que a realidade aconteça. 


É como se eu estivesse esse tempo todo ensaiando. Ensaiando para viver. 

sábado, 5 de junho de 2021

Correnteza

Estiquei meus braços, minhas pernas e deixei que a correnteza me levasse. Eu lutei para continuar respirando, mesmo com os mergulhos indesejados, ondas fortes e assustadoras que ameaçavam me afogar. Fui levada para lados que nem planejei, perdi a esperança. Recobrei as expectativas. Hoje só continuo boiando em busca de terra firme.

quarta-feira, 31 de março de 2021

Livre

Eu me desobrigo à perfeição. Eu me desobrigo da beleza. Dos filtros. Eu me desobrigo de tudo o que me manteve calada por tanto tempo.

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Exaurida

A depressão me tirou todas as palavras, amassou a minha garganta como um pedaço de papel rascunhado. E sem voz para pedir ajuda, para levantar o espírito na frente do espelho, eu me embotava em um casulo de edredon, sem tempo frio. Mas o gelo no meu peito atordoava a minha respiração. Estava congelada de dentro para fora. De ansiedade paralisante. E se meus fracassos do passado se repetirem no futuro? E se esse for o ciclo? Sem tentar para não falhar. Sem andar para não tropeçar. Sem dormir para não acordar. 

terça-feira, 7 de julho de 2020

Fora dos planos

O não desceu pela garganta seco. E um cubo de gelo se alojou no meio do meu peito. Parecia sedutora a ideia de não precisar mais resolver todas as mudanças, colocar a vida nova numa mochila e voar. A estagnação seria a única certeza desses tempos tão sombrios. Fácil. Mas a tristeza logo me pegou os pés com bola e corrente. E os dias passaram a se arrastar novamente. Até quando?

segunda-feira, 13 de abril de 2020

Pandemia

Um feixe de luz bem quente atravessa a cortina improvisada, e entre gatos, beijos preguiçosos, notícias terríveis, ansiedades e barganhas com nossas próprias esperanças, ficam rondando nossos sonhos suspensos. Por enquanto tudo espera por uma trégua. O inimigo invisível veio nos desmascarar mais uma vez. Sorte aos sobreviventes.

segunda-feira, 2 de março de 2020

Lazy day

Uma luta contra o despertador. Um pé na frente do outro tateando o escuro. Alguns segundos apoiando na cômoda, um suspiro para escolher um par de meias. Outro suspiro e eu me lembro de que estou viva e preciso ir. Um tropeço no tênis, um chute na cama e fecho a porta devagar. 

A água do chuveiro encobre todo o meu corpo. Fico imóvel alguns instantes tentanto lembrar o que se faz primeiro. Posso estar atrasada e pego no tranco ensaboando meu corpo. Me seco sentada. Bagunço o cabelo e me olho no espelho. Os olhos atravessam meu próprio reflexo. Coragem. Eu visto a roupa, e saio de casa. Volto uma ou duas vezes porque esqueci de algo. Finalmente desço o elevador. Ao chegar na rua ainda escura, estico um dos braços: garoa, mas não quero abrir o guarda-chuva. Não vejo a hora de voltar para casa!